Em Suas Marcas, Preparar…

Por Andrea G. Schwartz
03 de Dezembro de 2006.

Quão cedo é cedo demais para começar a educação domiciliar? Eu acho que teria que dizer que é no útero. Depois disso, é seguro começar. Sério, pessoas (e até os profissionais da medicina) subestimam a cognição e a consciência dos infantes. Com que frequência uma mãe ou um pai brilham os olhos pelo fato de seus filhos estarem sorrindo, só pra dizer, “não, isso são apenas gazes”. Bom, eu não acredito nisso. Isso é como o assunto problemático de quando a vida começa. Qualquer resposta além da concepção é um erro flagrante inapropriado. A vida começa na concepção, e o ensino/aprendizagem começa no nascimento.

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As crianças não são uma lousa em branco. Elas são seres humanos que herdaram seus genes de seus pais biológicos e seus pecados naturais de Adão. Além disso, todas as interações que eles têm do tempo que nasceram, começa uma experiência de aprendizado de uma forma ou de outra. Pais cristãos não cuidam de seus filhos da melhor maneira quando eles agem como se o pecado não fosse uma realidade (o que deve ser reconhecido e tratado desde o início).

Deixe-me ilustrar com dois exemplos de vida da minha própria família:

Caso 1

Quando meu filho ainda nem tinha um mês de vida completo, nós o tiramos do nosso quarto para dormir em seu próprio quarto. Ele não gostou muito e chorou bastante. Mesmo depois de fazer todas as coisas que uma mãe sabe fazer, o choro não parou. Isso durou por algum tempo. Uma noite, meu marido estava farto disso e entrou no quarto onde eu estava inclinada no berço tentando pensar no que fazer. Com sua voz profunda e masculina ele disse para nosso filho, “Vire-se e vá dormir. Sua mãe precisa descansar!”. Eu pensei comigo mesma: ele só pode estar brincando, esse bebê não faz a menor ideia do que ele está falando. Porém, eu não fazia a menor ideia do que estava pensando. Nosso filho parou de chorar imediatamente e dormiu. Eu estava perplexa, e meu marido simplesmente foi para a cama e voltou a dormir, eu subestimei grosseiramente a realidade da autoridade do pai sobre um infante. Como ele sabia, eu não sei explicar exatamente, mas nosso filho sabia que seu pai é coisa séria. 

Caso 2

Minha filha mais nova é quatorze anos mais nova que seu irmão e sete anos mais nova que sua irmã. (Eu costumo dizer brincando para as pessoas que eu tiro sete anos sabáticos e depois eu tenho um filho!) De qualquer forma, uma vez, quando ela tinha quase dois anos de idade, as três crianças e eu estávamos na sala de estar.

A mais nova deu um grande tapa no rosto de sua irmã mais velha. Eu imediatamente bati em suas mãos e disse que o que ela fez era errado. Então, eu a instruí a pedir desculpas à sua irmã. E nada! Eu bati em sua mão novamente e disse que ela havia feito uma coisa feia e precisava mostrar à sua irmã que estava arrependida. E nada! Isso aconteceu mais duas vezes. Então, meu filho com toda a sensatez que adquiriu em seus quatorze anos, me corrigiu, é claro que sua irmã não poderia entender sobre o que eu estava falando. Ele achou que era ridículo para mim pelo menos imaginar que ela poderia. Eu disse a ele que eu sabia que ela entendeu perfeitamente bem, e que ela estava me desafiando. Ele virou os olhos, achando que estava certo. Eu a reprovei novamente e disse a ela que precisava mostrar à sua irmã que estava arrependida. E nada! Ela levou outro tapa na mão. Agora, sua irmã estava certa de que o tapa não havia machucado tanto assim e que Doroty apenas “não entendia”. Ela, assim como seu irmão, queria que eu desistisse de tudo aquilo. Naquele momento, meu marido (ignorante por tudo o que aconteceu) saiu do nosso quarto e estava a caminho do corredor. Doroty nem viu o seu rosto, apenas ouviu seus passos, e rapidamente declarou em voz alta: “Desculpe Rachel!”. O poder da presença do papai deixou os irmãos mais velhos perplexos. Ela realmente havia entendido!

Eu citei esses exemplos porque em cada caso havia prontidão para subestimar a capacidade de uma criança pequena discernir o certo do errado. Desde que o processo de aprendizado iniciou em algum momento, isso deve também começar imediatamente. Então, aqui está uma pequena lista de sugestões para começar o processo de “pré-homeschooling” com os bebês:-

Certifique-se de que você organizou um planejamento em que todos, pais e filhos podem conviver e tentar seguir. Isso se aplica a alimentação, banho, sono, e hora de brincar. Trabalhe para que os familiares e amigos se enquadram a suas opções.

Quando se deparar com um choro impaciente de uma criança com fome ou com as fraldas sujas, os pais devem instruir a criança a se acalmar e então pegar a criança para cuidar. Não, isso não funciona imediatamente, mas o padrão da paciência deverá ter começado.

Os pais precisam ser consistentes.

Quando uma criança irá se alimentar, (inclusive os lactantes) deve dar graças pedindo ao Senhor para abençoar o alimento para o corpo.

Quando uma criança começar a fazer birra, ela deve ser instruída a se controlar. Novamente, a resposta desejada não acontece imediatamente, mas o padrão de exigir isso será estabelecido. A criança não deve ter aquilo pelo que está chorando enquanto a birra não terminar.

Quando for a hora da soneca ou a hora de dormir, os pais devem falar para a criança o que eles querem que ela faça. “Agora é hora de dormir. Quando você acordar eu vou alimentar você novamente.” E então, eles devem orar em voz alta pela criança, para que Deus abençoe o descanso, sair do quarto fechar a porta e permitir que a criança tenha a oportunidade de dormir. Mais uma vez, eu não estou prometendo resultados imediatos, mas um padrão está sendo estabelecido, o de que a criança deve respeitar a autoridade de seus pais.

Agora, eu acredito que isso vá contra a sabedoria “convencional”. Eu afirmo que este processo é mais importante para os pais do que para os filhos, pois os pais que estão no comando. Seguindo um alto padrão irão permitir os infantes se tornarem bebês que irão se tornar crianças pequenas que irão se tornar meninos e meninas que serão capazes de se mover em um ambiente acadêmico muito mais facilmente, pois a obediência e autodisciplina têm sido seu contexto desde o início.



Fonte Texto Original: 
https://chalcedon.edu/blog/on-your-mark-get-set
Tradução: Adriana – Voluntária Educalar
Revisão do Texto: Alessandra Martins – Mãe Educadora – Equipe Educalar
Fonte Imagem: https://www.pexels.com/pt-br/foto/bebe-nenem-livro-crianca-3818561/


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Creative Commons – [CC BY-NC-ND 4.0] – http://bit.ly/CCartigosEducalar

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Bárbara Beatriz

Cristã, casada e mãe educadora. Tenho desejado mais da vida de Cristo em mim e em minha família. Que Cristo cresça e eu diminua!

5 ComentáriosDeixe um comentário

  • Texto pra meditar sobre quando iniciar educação domiciliar. Afinal é importante a preparação desde o ventre e principalmente a formação de hábitos e princípios Bíblicos.

  • Gostei muito do que a Andrea escreveu.
    Aqui na rotina da minha casa, percebi como “estabelecer um padrão” de obediência faz toda a diferença no dia a dia, e o benefício para a própria criança é percebido com o passar do tempo.

  • Que lição! Aprendi muito com a experiência dessa família! Que Deus continue a abençoa -los poderosamente!

  • Gostei muito de ler este artigo. Me ajudou a reforçar o que tenho aprendido no processo de educar filhos. Confesso que com o primeiro filho foi mais tranquilo exercer o comando. Porém, sinto que com a chegado da minha segunda filha, a tensão aumentou. Graças ao Senhor, por suas misericórdias e por nos ajudar no processo de renovação da nossa mente para que possamos experimentar em todos os âmbitos e, especialmente no que tange a criação dos nossos filhos, qual seja boa, perfeita e agradável vontade de Deus (Rm 12.1-2). Obrigada a Andréa por compartilhar estes ensinamentos preciosos.

  • Quanto mais cedo começar, melhor. Quanto mais o pai estiver presente, melhor. Quanto mais a verdade bíblica for praticada, mais glorificado será o Senhor em nossas famílias, quer nos pais, quer nos filhos.

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